Psicanálise e ciência: Como a biologia auxilia a clínica

PSICANÁLISE E BIOLOGIA


 

“Sigmund Freud, um medico vienense”. Quem le estas palavras, sem pressupostos,  poderia entender Freud como um cirurgião, um médico clínico que nasceu em Viena. No entanto a biografia de Freud o aproxima muito mais da biologia do que da medicina propriamente dita.

No inicio de sua vida acadêmica, Freud se preocupava em ler os clássicos da literatura e tinha pouco interesse na ciência e prática estritamente médicas. O jovem busca então o trabalho na pesquisa e se dedica boa parte da sua vida acadêmica em laboratórios. Inicialmente no laboratório de Ernst Brücke, onde realizava estudos histológicos evolutivos em enguias elétricas.

Para Freud, Charles Darwin nunca deixou de ser o “grande Darwin” e as investigações biológicas agradavam mais a Freud do que o atendimento clínico aos pacientes. Ele estava se preparando para sua vocação ao escrever para um amigo em 1878, ao escolher “maltratar animais em vez de de “torturar humanos” (Freud: Uma vida para nosso tempo. Gay,P. 1988).

A teoria psicanalítica então se edifica por um homem atormentado pela busca de si. Busca de fama, reconhecimento e dinheiro, claro, Freud era um homem pobre, mas, sobretudo, em busca dos mistérios da mente humana, possivelmente simbolizado pela figura de Édipo quando defronte da esfinge. Freud queria saber “por que” e “de que modo” – e isso é típico de uma mente científica apoiada sobre os pilares iluministas.

Mas afinal de contas, no meu consultório, de que vale saber algo de biologia, como: o parentesco do homem com o macaco, ou o comportamento de certos mamíferos? Para a clínica todo o conhecimento não é o bastante, e buscamos o “não dito” a todo o momento, mas, de posse do conhecimento biológico (evolução, genética etc), certos fenômenos – a exemplo o complexo de Édipo que pode ser inferido em alguns grupos de macacos – podem ficar mais claros para estudo. Freud afirmava que “devemos recordar que todas as nossas idéias provisórias em psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa subestrutura orgânica”. (Uma Introdução sobre o Narcisismo. Freud, S. 1914), o que nos obriga a termos sempre em mente, como clínicos, que quem esta sentado na nossa frente ou deitado no divã é um ser vivo com uma grande e fabulosa historia evolutiva, sujeito à leis deterministas da matéria viva, além é claro, de todo o poder da influência cultural. Dá se assim a singularidade humana, em que Sigmund Freud mergulhou e não saiu mais… e nunca sairemos.

 

1 comentário

  1. Interessante… e bem escrito!

    caraio… “bosta” mais textos neste brog porraaa…. quero ler caraio.

    uhauha

    abrçu

    Curtir

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