ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL: AONDE A SAÚDE E A CULTURA SE ENCONTRAM?


Acordamos com o despertador e refazemos toda a velha rotina sem pensar. Carros passam, pessoas cansadas, prédios cinza, fumaça, barulho, correria. No trabalho, muitas responsabilidades, o chefe, o cliente chato e a obrigação de todo mês pagar as contas. Chegamos a casa já tarde da noite e cansados, então… O que fazer?
No mais das vezes ligamos a TV para relaxar e abstrair, perder o foco por uns momentos. Outros escutam musica, vão ao teatro ou vão à um show. O fato é que necessitamos de transformar nossa rotina, colorir nosso dia, fazer algo diferente, mesmo que uma vez por semana ou uma vez por mês.

As cidades então além de ser o espaço em que as pessoas trabalham, comem e dormem, são o espaço também onde elas se divertem e para isso a cidade precisa ser um ambiente, prático, bonito e variado em termos culturais. Cidades “boas” têm que oferecem aos seus habitantes uma pluralidade de entretenimento, lazer e cultura; enfim um ambiente rico.

Há tempos se estuda os efeitos do enriquecimento ambiental em animais de laboratório, fazendo basicamente o seguinte: separam-se dois grupos de animais (por exemplo, ratos de laboratório) em duas caixas, sendo que uma é bem simples e a outra é repleta de brinquedos, objetos e cores diferentes. Pode parecer estranho, mas será que os ratos criados em caixas diferentes são diferentes? Será que eles são mais ou menos ansiosos? Estas perguntas já foram feitas e estão sendo respondidas.

Animais criados nas caixas enriquecidas são menos ansiosos, tem menor propensão ao consumo excessivo de álcool e constatam-se alterações significativas no volume de certas regiões cerebrais, que medeiam processos de memória, stress e sono.
Não querendo me alongar nos detalhes metodológico-científicos, confesso que fiquei tentado em fazer a seguinte pergunta: “Será que podemos comparar o enriquecimento ambiental dos ratos a um ambiente cultural rico em humanos?”

Não sei a resposta, mas creio que seres humanos que são criados em ambientes repletos de possibilidades diferentes, sejam elas de lazer, cultura, esportes são seres humanos mais felizes, talvez da mesma maneira que os ratos, guardadas as proporções.

Já que estou fazendo mais um exercício de pensamento do que uma tese científica, atrevo-me a dizer até que as psicoterapias então tratam de enriquecer o ambiente interno do sujeito, o que poderia ocasionar uma série de mudanças benéficas. Por exemplo: você está realmente preocupado com as contas a pagar no fim do mês ou com uma prova muito importante e não consegue mudar o foco de sua atenção, dorme mal, come mal e não consegue pensar em outra coisa. Vai ao psicoterapeuta e de uma maneira quase imperceptível, você sai de lá com outros pensamentos e outras visões sobre os velhos problemas; houve um acréscimo de novas idéias e pensamentos, um enriquecimento de seu mundo interior.

Assim, neste momento do texto, vejo a relação muito clara entre duas grandes áreas de atuação e interesse público: A saúde e a cultura.

Termino o texto propondo uma questão: Cinema, teatro, música, dança e outras manifestações culturais servem apenas como um passatempo para quem assiste ou trabalho para quem produz, ou podem ser consideradas também uma das maneiras de auto-preservação da saúde do indivíduo?

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1 comentário

  1. Acredito que as manifestações culturais nao sao objetos supérfluos na vidas das pessoas…
    São sim coisas fundamentais para cada um.
    A vida tem o sentido que damos a ela.

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