CULTURA E(é) SAÚDE


“Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?”
(Comida, Titãs)
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Em uma breve pesquisa pela internet, de artigos científicos e “populares”, quase nada encontrei deste tema, ou melhor, destes dois temas. Percebi que usa se comumente o termo “cultura” como sendo um conjunto de práticas humanas consagradas e mantidas ao longo do tempo por instituições. Então temos a “cultura da saúde pública”, a “cultura da amamentação”, a “cultura do tratamento ao idoso” etc.

Quero propor aqui “cultura” como sendo um resultado direto do bem estar de uma população. Neste sentido, só temos manifestações culturais quando o homem deixa de SOBREVIVER apenas e passa a VIVER, passa a ter prazer em atividades que não se relacionam diretamente com a sua sobrevivência (como o trabalho que escolhemos que nos dá casa, comida e condições de criar uma prole). Mas e no caso de manifestações como o Blues e o Samba, que sabidamente foram criados em condições de pobreza?
Respondendo a questão, não posso deixar de considerar o termo “VIVER” como uma capacidade de sentir a vida em todas as suas possibilidades, por exemplo: Um negro norte americano trabalhando como um “escravo” nas plantações de onde tirava seu sustento sofrido, não deixava de sentar-se com seu violão velho e cantar suas magoas e desventuras com a melodia típica do Blues. Se este sujeito considerasse a vida como uma série de dias em que ele tem que trabalhar e ganhar a vida, porque se sentaria num banquinho e tocaria seu violão? Este sujeito fazia sua arte como forma de consolo, de desabafo… Ele podia até cantar um mundo perfeito em suas canções, um mundo do qual ele não faz parte, mas poderia sonhar ao menos, colorindo uma vida difícil e besta. Os escravos brasileiros, que sabidamente praticavam a capoeira, queriam o que com esta prática? Talvez a arte da capoeira lhes desse a impressão de que são alguém num mundo de exploração e dor.
O que eu quero dizer é que a arte aparece no mundo humano como (1) um modo de expressar as dores da alma e assim abrandá-las e, (2) como um resultado direto de uma visão de mundo que vai além das necessidades diretas da realidade.
Porque será que damos tanto valor a cultura? Porque os governos gastam milhares de dólares em incentivos a projetos culturais? Porque se intitular uma pessoa culta é bonito e legal? Como vocês poder perceber, eu não sei exatamente a resposta, mas garanto que a cultura de um povo e as atividades desta prática e produção são tão importantes quanto o alimento que comemos ou o saneamento básico que nos é garantido.

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