DROGAS, SEXO, DEUS E DIABO: POR QUE É DIFÍCIL FALAR SOBRE CERTAS COISAS?


Semana passada nesta coluna iniciei alguns pensamentos sobre drogas e sobre os perigos de seu abuso, e recebi alguns e-mails muito bons. Como sou orientado a pensar cientificamente, não objetivei em nenhum momento fazer julgamento moral de quem usa ou deixa de usar qualquer droga. Deixei claro que o problema das drogas é que elas dão extremo prazer ao sujeito que as usa, além das outras conseqüências resultantes da tolerância e dependência. Não vou emitir opiniões do senso comum como: “Diga não as drogas” ou “Drogas nem morto”, pelo simples fato de que é necessário pensar mais e julgar menos, quando se trata de assuntos delicados e importantes. Foram expostos no texto idéias e raciocínios de no mínimo 30 anos de existência, os quais a ciência vem desenvolvendo com o intuito de minimizar os efeitos danosos do uso ou abuso de drogas.

Posto isso, continuo a perguntar: Por que é tão difícil falar sobre coisas como, religião, drogas e sexo?

Richard Dawkins, biólogo e divulgador da ciência, escreveu ano passado seu livro intitulado “Deus: um delírio”, em que tenta entender por que as pessoas acreditam em “um deus”, e quais são as conseqüências disso ao longo da história. Apresenta argumentos potentes contra tal ilusão ou delírio. Se fosse simples falar de religião e deus, este seria mais um livro, mas não é; tal como não foi “O Anticristo” de Friedrich Nietsche. O fato é que Deus ocupa um lugar muito importante na vida das pessoas e não se pode, apenas por argumentos e toda a lógica existente, convencer de que deus é realmente um delírio. De fato, o número de crentes em alguma doutrina vem caindo, sobretudo entre as populações mais instruídas, e hoje podemos discutir religião de uma maneira mais “racional”, a não ser com fundamentalistas (científicos ou religiosos). Isso acontece porque um grande número de pessoas escolherem entender o mundo de outra maneira, sem necessariamente acreditar em um Deus, e pagam o preço com insegurança e muito preconceito (os ateus são o grupo que sofre mais preconceito, tanto no Brasil como nos EUA).

Falar de sexo também não é fácil, imaginem a pequena filha de 6 anos chega a mãe e pergunta: “Mamãe, como se faz filhos?” O que responder?

A maioria da população humana até então preferiu inventar uma estória paralela, como a cegonha e coisas do tipo, porque tem certas restrições em falar sobre sexo. Afinal, como dizem: “A criancinha não entenderia nada mesmo.” Por que então temos esta vergonha e recato em falar sobre um ato universal e importantíssimo? Iríamos desvirtuar a criança? Temos medo de que ela se inicie precocemente no sexo, por curiosidade incitada pela resposta verdadeira? Sabe-se que não é assim. A informação pura e simples não necessariamente induz a práticas ou atos, e quando informamos de maneira suficiente e adequada a idade, produzimos conhecimento, evitamos a ignorância e o pensamento mistificado (este sim é um dos motores da curiosidade). Aliás, voltado ao título deste texto, uma das armas contra o abuso de drogas é a informação clara e precisa, que na maioria dos casos evita que o sujeito faça uso perigoso de drogas e se torne dependente.

A informação é um bem valioso, e quando bem entendida e bem divulgada, promove mudança. Mas para isso é preciso que nos livremos de idéias pré-concebidas. Será este um fator de mudança?

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s