ANSIEDADE E MEDO: VOCÊ ESTA LIVRE DESSA?


“Os governos de todo mundo precisam ver a saúde mental com um componente vital do atendimento de saúde primário Nós precisamos mudar as políticas e práticas.Apenas assim poderemos levar o atendimento a dezenas de milhares que precisam em todo mundo”(Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da Organização Mundial de Saúde, 2008, Genebra, Suíça).

É impressionante como estamos ouvindo a palavra “ansiedade” em quase todos os meios de comunicação. Em consultórios esta palavra aparece como se explicasse algum processo: “Você esta ansioso, é só isso. Procure se acalmar!“ E como quase sempre acontece quando certo conceito cai na mídia, as banalizações são frequentes.

Imagine que você esteja andando pela rua e é abordado por um assaltante: Junto de uma sensação aterrorizante e desagradável, sem controlar, seu coração dispara, sua respiração fica rápida, a boca seca, e você não consegue pensar em fazer nada, alem de fugir ou congelar, fica parado. Diz se então que você sentiu “medo” e seu corpo reagiu a este estado de perigo. É isso: O medo é um conjunto de reações que se observa ou se sente quando estamos frente a frente de uma situação na qual nossa vida possa estar ameaçada.

Após o assalto, você volta para casa ainda desconfortável e com pensamentos repetitivos. Tenta dormir, mas percebe que seus braços e pernas ainda estão tremendo. Depois de 2 horas rolando na cama, dorme. No dia seguinte, no mesmo horário, você passa pelo mesmo local onde foi assaltado e, estranhamente, seu corpo reage de forma inesperada: o coração começa a bater rápido, a respiração se altera, a boca seca e uma sensação terrível de que tem que correr dali se manifesta. Você corre pra casa.

Mas o que é estranho nessa história é o fato de que voltamos a ter medo de uma situação que esta lá atrás, no passado. Afinal o assaltante não esta mais lá no momento. Sentimos então algo diferente do “medo” (que é dirigido a um objeto específico, em um momento especifico) e sentimos a “ansiedade”, um sentimento antecipatório desagradável frente a uma situação aversiva (ou experiência traumática) que pode ter ocorrido no passado (no nosso caso, no momento do assalto).

Então, o medo seria uma série de reações corporais (reações psicológicas e fisiológicas) que temos quando estamos frente a uma situação de perigo (assalto, precipício, um leão, etc.), e a ansiedade representa reações semelhantes ao medo, só que desta vez o que ocasionou tal reação não é algo tão objetivo (como o assalto). Ambas as sensações são extremante úteis e benéficas, mas quando exacerbadas, são consideradas doença.

Sigmund Freud, um dos pioneiros na tentativa de classificação e descrição de doenças mentais, em 1895, descreveu de maneira bem detalhada algumas situações em que a ansiedade aparece como um sinal/sintoma comum e importante. Freud, de certa forma, buscou durante toda sua vida desenvolver um tratamento para tais males (neuroses), por meio da psicanálise. De fato, há na teoria psicanalítica um consenso de que situações vividas, sobretudo na infância, podem determinar situações vividas atualmente e, por meio das sessões de analise, há o alivio de certos sintomas.

Atualmente, se dá muita atenção ao tratamento farmacológico (por meio de remédios) de transtornos de ansiedade cuja eficácia, assim como a eficácia das psicoterapias, é questionável. Pode-se tomar um coquetel de remédios de ultima geração, mas a dor da perda ou um pânico terrível pode ainda o incomodar.Em 9 de outubro de 2008, a Organização Mundial de Saúde (http://www.who.int/) lança um programa que dá direções a situação preocupante da saúde mental mundial. Afirma que 75% da população que sofre de alguma doença mental grave não têm tratamento, embora os custos para tal sejam baixos. E como já sabido pela Organização, os distúrbios mentais (depressão, ansiedade) estão entre os principais fatores que desencadeiam outras doenças (alcoolismo, pressão alta, etc.).Apesar do relativo baixo custo para tratamento de “doenças mentais”, a dificuldade encontrada para se tratar ou prevenir esses males ainda é o preconceito que se tem dos métodos de tratamento e das pessoas que o fazem e o fato de serem “doenças não comunicáveis” (http://www.who.int/), ou seja, silenciosas. Quem tem tais distúrbios não comunicáveis, não sabe que tem, até um ponto em que viver se torna insuportável.

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