MUNDOS INVADIDOS


MUNDO REAL Vs MUNDO VIRTUAL
Vemos atualmente, com a falta de tempo e disposição de se sair de casa para uma sessão psicoterápica, as “psicoterapias on-line”. Podem ser feitas por e-mail, ou programas de mensagens instantâneas (MSN, ICQ etc.), com hora marcada e, claro, o serviço é pago. Inventada na década de 80 nos EUA, vem desde então dividindo opiniões sobre sua eficácia e pertinência. De fato Sigmund Freud, o pioneiro das psicoterapias, não teve oportunidade de viver em épocas como a nossa em que podemos nos comunicar com o mundo todo de maneira fácil e rápida por diversos modos.
No entanto, como é sabido, Freud era um escritor compulsivo de cartas, hábito que permitiu que conhecêssemos sua vida em detalhes. São centenas de cartas que nos apontam aspectos importantíssimos da teoria psicanalítica. Diria que temos nessas cartas um relato em “real time” de como andava a mente do pai da psicanálise. Ora, o que se tem discutido bastante é a dicotomia entre o “mundo real” e “mundo virtual”, como se os dois estivessem definitivamente separados, e como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra.
Fazer análise via internet pode até ser agradável e eficaz, uma vez que há uma relação com um “Outro”, há uso de uma linguagem etc. Todavia, há que se considerar outros aspectos como: o fato do paciente sair de casa, dirigir-se a sala do terapeuta, sentir cheiros, ver e sentir a poltrona, observar a sala e outros elementos que compõem o “Setting Analítico” (conjunto de elementos e fatores que formam a relação analista paciente). Ou seja, a análise pela internet impossibilita que todos os elementos sensoriais estejam presentes. E isso vale para qualquer tipo de conversa ou relacionamento que se tem via internet.
MUNDO ADULTO Vs MUNDO INFANTIL: PEDOFILIA EM QUESTÃO
Pais se preocupam porque seus filhos ficam na internet por horas, conversando com estranhos, sendo alvo de pedófilos, e tendo a possibilidade de ter qualquer tipo de informação ali, na velocidade de um ou dois cliques no mouse.
A internet facilita o contato entre pessoas diversas, que podem não mostrar suas caras e verdadeira identidade. Porém, o que julgo importante nessa história é a característica humana de querer se comunicar com o Outro. O meio não importa, as regras são as regras do desejo humano de se comunicar e de formar laços sociais. No caso da pedofilia, que vem adquirindo um bom espaço na mídia (CPI da pedofilia), temos sim um pedófilo de uma lado do PC, mas do outro temos uma criança cheia de fantasias sexuais prematuras, que se expõe descabidamente na internet, e de certo modo, já deseja talvez inconscientemente, relações adultas. Exceto os casos de estupro, a sedução que um pedófilo exerce na vitima, tem fundamentos, ou seja, há terreno fértil na criança para que o abuso ocorra.
A pedofilia e considerada uma perversão sexual pela psicanálise, que não a endossa de forma alguma; embora algumas pessoas que leram muito mal os livros de Freud, acreditem que a psicanálise até a justifique. Sigmund Freud coloca a pedofilia entre algumas das perversões sexuais, e como um pesquisador sério, se abstém de idéias preconcebidas e ódios.
Para ilustrar, assistindo ao programa Fantástico de domingo passado (08/03/2009), havia uma matéria sobre a CPI da pedofilia, logo depois Zeca Camargo anuncia e comemora que um garoto americano lança um livro “que ensina como chegar nas garotas”. Seguindo, chamam um garoto de 7 anos para testar as dicas do menino americano ( Zeca diz finalmente: “Olha patrícia, você e o pessoal de casa vai se divertir com o resultado”). O menino segue algumas dicas e no final do quadro, entrega flores a meninas mais velhas que elogiam o garoto dizendo que ele é “muito bonitinho”. Não sei, mas isso me chamou atenção. Pareceu-me aberrante ver um menino de 7 anos agindo como se fosse um “mini adulto”, dando flores, e visando um relacionamento tão cedo. Aberrante também são crianças utilizando maquiagens, sandálias de salto alto, saias justas e demais itens de sedução próprios do mundo adulto. Esse pequeno panorama nos traz dicas de como um pedófilo seduz, ele utiliza dessas idéias incutidas prematuramente nas crianças, geralmente relativas à sexualidade, e pode cometer mais facilmente o crime. É claro que isso não é tão simples assim, mas nos dá direções no sentido de perceber que crianças tem tido sua infância interrompida por ideais adultos de poder, sexo e dinheiro.
Na pedofilia, o “mundo adulto” e o “mundo infantil” se invadem mutuamente, de modo que não haja nenhuma barreira entre os dois. Em pequenos atos, a sociedade é permissiva com relação à sexualização precoce das crianças, que pode ser um dos elementos importantes da pedofilia em sua prática e manutenção no mundo.
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1 comentário

  1. ótimo textoé isso mesmo… a cultura tb facilita a sexualização precoce da criançada…bem obserbadoparabéns pelo blog

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