DIVÃ, O FILME


O filme “Divã” conta a história de Mercedes (Lilia Cabral), uma mulher de 40 anos que, por razões não tão claras, procura um psicanalista. Ao sentar–se em frente ao analista, fica constrangida porque não consegue, a princípio, estabelecer porque está naquele consultório. Mercedes tem dois filhos e aquele marido brasileirão clássico: Bom pai, bom marido, adora futebol e cervejinha. Mas Mercedes, apesar de relativamente feliz, sente algo estranho.
Mercedes então, percebendo melhor seus desejos antigos, acaba se envolvendo com dois garotos. Volta a flertar, paquerar. Tenta reencontrar sua feminilidade e fazer coisas de adolescentes, fuma maconha etc. Todo turbilhão de coisas acontecendo, culmina num divórcio tranquilo.
E quem acha que vai encontrar um filme “puxa saco” da psicanálise ou com exaltação das técnicas seculares da prática, está errado. As sessões de análise de Mercedes são partes acessórias da trama em si. E acredito que isso aconteça com a boa análise. Não se percebe nada, até que sem saber por que ou como, já mudamos.

O analista mudo
É interessante que o diretor teve a sensibilidade de excluir a voz do analista, sendo que apenas Mercedes falava. Isso não é verdade. Os analistas falam, riem, respondem a perguntas, são seres humanos também. Mas se fossemos propor uma imagem que ilustre um percurso de análise poderíamos compará-la a uma caminhada, cujo guia (analista) vai atrás de vocês, apenas escutando e se você resolver se jogar em um abismo, ele se jogará junto. Esborrachados lá no fundo do abismo, você continuará em companhia do analista, que vai propor para que você continue a caminhada.

Divã, o sofá.
Apesar do nome do filme, Mercedes nem sempre faz a analise deitada no divã. Alguns psicanalistas de hoje são bem flexíveis quanto ao uso do divã, sendo que a utilização fica a critério do paciente. Você pode tranquilamente fazer analise sentado, desde que tenha coragem e disposição para o percurso.

Divã, o desfecho
Com certa razão, procuramos um tratamento, e esperamos obter “alta”, no sentido de que todo tratamento tem um começo, meio e fim. Isso sem duvida acontece na clínica médica, cujo foco está bem estabelecido, por exemplo, em um caso de internação por fratura óssea; você obtém alta assim que a fratura esteja relativamente bem resolvida.
No filme Mercedes recebe “alta” de seu analista, mas Mercedes acaba voltando. Na maioria das vezes a analise é desenvolvida ao longo de um bom tempo. Há quem a chame de “Psicoterapia Psicodinâmica de Longa Duração”. Vamos supor que você vá ao analista porque esta triste por perder seu marido. Desse modo, as sessões inicialmente vão girar em torno deste assunto especifico. No entanto, com o passar do tempo, outras questões surgirão e a mudança é esperada neste momento; em que assuntos esquecidos voltarão à tona. O filme termina muito bem – bem longe dos finais “hollywoodianos”- mais próximo da vida real, mas não vou contar…

 

 

 

1 comentário

  1. RESPOSTA A UM E-MAIL DE UMA LEITORA
    _____________________________________
    Olá ,

    É um prazer fazer contato com você, e muito obrigado por ter se interessado pelo meu blog.

    Alguns pontos que me chamaram atenção, pude colocar no texto acima.

    Como você está lecionando sobre psicanálise, sugiro que ressalte que ela foi a primeira técnica psicoterápica desenvolvida, e que a regra fundamental é a livre associação. A livre associação é bem abordada no filme, uma vez que o analista figura como fantasma, sem rosto, sem voz etc… Aquele que acompanha na caminhada. Bom, nesse aspecto você tem uma ótima chance de discutir a regra fundamental da psicanálise.

    Mesmo o analista sendo uma figura pouco presente na narrativa do filme, as sessões são o ponto de mutação da personagem principal. Fica subentendido que Mercedes toma direções diferentes na vida, por conseqüência do que acontece na sala de análise, e o mais interessante. Sem que o analista de conselhos, etc.. Sem que a análise seja uma espécie de “papo com amigos”, ou “papo de boteco”.

    Assim você pode diferenciar uma boa conversa com amigos de uma boa sessão de análise, colocando as técnicas usadas para isso.

    E finalmente, uma discussão filosófica da psicanálise que trago sempre comigo é se ela realmente é terapêutica? Posto que os resultados nem sempre são “bons” ou moralmente aceitos, uma vez que se tenta libertar o sujeito de mecanismos neuróticos e repetitivos, que podem estar a serviço de um bom convívio social e familiar. Em termos: A psicanálise é boa? A percepção mais ampla, o auto conhecimento, são realmente tesouros perdidos da humanidade? Precisamos no auto-conhecer? Ou, na verdade, auto-desconhecer?

    Acho que por hora é isso. Gostaria que você me respondesse este e-mail contando como foram as discussões e suas novas idéias.

    Muito Grato

    Curtir

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s