NEURÓTICO? EU?


“Toda classe das neuroses foi fundada numa concepção negativa; ela nasceu no dia em que a anatomia patológica, encarregada de explicar as doenças pelas alterações dos órgãos, encontrou-se diante de certo numero de estados mórbidos cuja razão de ser lhe escapava” (A. Axenfeld, Traité dês névroses, 1883)

Quase todo mundo já ouviu falar ou até mesmo já foi chamado de “neurótico” ou “histérico”. Provavelmente, lhe chamaram disso quando você acabou perdendo a cabeça e ficou muito nervoso com algo que não merecia tanta importância.

Sigmund Freud, o fundador da psicanálise deu grande importância à pacientes que eram tidos como fingidos e dissimulados, que na verdade nada tinham e queriam chamar atenção para si por meio de cenas teatrais. Em um movimento contra corrente, Freud pesquisou tal afecção seriamente, como se fosse qualquer outra doença, e, junto de Josef Breuer, publicou Estudos Sobre a Histeria (1895) que, junto de outros casos clínicos (ver casos clínicos Dora, Emmy Von N., Lucy e Katharina), formulou as bases da teoria psicanalítica naquele momento. Um médico qualquer, frente a uma paralisia histérica poderia dizer que a paciente estava fingindo. Mas Freud dizia então: “Por que a paciente esta fingindo?”

Em termos breves, a neurose pode ser explicada como a manifestação de um conflito psíquico de caráter sexual adquirido na infância. Já ficou complicado, pois adicionamos duas coisas aparentemente conflitantes aí: “sexualidade” e “infância”. A sexualidade pela teoria psicanalítica não é entendida apenas como a atividade e os prazeres que conseguimos pelo uso dos órgãos sexuais e com finalidade eminentemente reprodutiva; ela é entendida como uma série de excitações e atividades presentes desde os tempos da infância que proporcionam um prazer irredutível na satisfação de necessidades fisiológicas (respiração, alimentação, excreção, etc.) ;deste modo o corpo todo passa a ser zona erógena (região que gera prazer). Freud com essa idéia foi muito mal entendido na época, pois algumas pessoas não podiam aceitar a idéia de que uma criança possa ter excitação ou prazer sexual genital, o que de fato, não foi o que Freud propôs. Freud propôs então uma ampliação do conceito do que é “sexual”, que não foi prontamente aceito porque os assuntos sexuais constituem um tabu de grande peso.

As neuroses então possuem caráter sexual de modo que há um conflito entre mecanismos psíquicos de satisfação de necessidades e a realidade externa estabelecida. Por exemplo, não podemos simplesmente fazer tudo aquilo que queremos no mundo, há que se controlar algumas vontades logo quando elas nascem, sem mesmo sabermos se elas existem na nossa consciência. Diz se então de uma vontade inconsciente, que foi reprimida. Essa vontade reprimida é constituída de energia mental que flui no sentido da realização e, para que seja barrada em nós, há que existir mecanismos fortes de barramento. O que fortalece e impulsiona esses mecanismos de barramento são as regras morais, educação familiar, orientações da família, etc (o que foi denominado, posteriormente, como Super-Ego, ou Super-Eu).

Assim a psicanálise nasceu. Dando atenção ao detalhe, ao que deveria ser esquecido, ao que não deveria ser dito. Convida-se o paciente a falar tudo que vem a mente, e assim podemos determinar, geograficamente, o território sexual e por onde estão os rastros do desejo. Um desejo tão voraz quanto o sugar do leite e ao primeiro movimento de respiração no bebê.

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