TOQUE DE RECOLHER: TEMOS MEDO DE QUE?


Vemos em algumas cidades do interior paulista a retomada do toque de recolher. O toque de recolher foi usado extensivamente pelos nazistas na Alemanha entre 1933 e 1945 contra judeus. Na mesma época, os EUA fizeram o mesmo contra imigrantes japoneses e seus descendentes (nisseis, sanseis) na Costa Oeste do país (Califórnia, Oregon e Washington). No mesmo país, nas décadas seguintes, os cidadãos afro-americanos sofreram o mesmo tipo de restrição durante a vigência da Lei Jim Crow. Regras similares existem até hoje (desde os anos 1980) em alguns lugares dos EUA, proibindo menores de idade de se reunirem em locais públicos durante o horário letivo. (www.wilkpedia.org).

De fato em Fernandópolis, interior de São Paulo, aonde a lei do toque de recolher esta valendo por um tempo, comemora-se a baixa dos índices de criminalidade envolvendo jovens. As opniões são diversas. Alguns pensam que a lei do toque, faz com que o jovem perceba que é bom para ele dormir cedo e acordar bem, e se sentir diposto para mais um dia. Em Ilha Solteira, o juiz da Infância e da Juventude, Fernando Antonio de Lima explica que o livro de “Eclesiastes”, da Bíblia, inspirou a decisão judicial. “Um cavalo indômito torna-se intratável. A criança entregue a si mesma torna-se temerária”, afirmou. Para Ricardo Cabezon, presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), porém, a decisão é abusiva e fere liberdades constitucionais. “Liberdade de ir e vir, liberdade de educar, liberdade de poder escolher entre o que é certo e o que é errado”. (www.g1.globo.com)

Posto isso, não me cabe colocar o certo e errado, sabendo que isso cabe a cada um. Mas me intriga o fato de que os toques de recolher referem-se a uma proibição irrestrita de certo grupo de pessoas (jovens, grupos étnicos, etc., como vimos acima)  sobretudo em horários noturnos. A questão que tenho é porque tememos a noite? Aquele período em que não temos o amparo da luz do sol, em que não podemos ver com clareza o ambiente e tudo se torna um vulto indefinido e amedrontador. E também, por que os homens, meninos e meninas se transformam em bestas criminosas ao cair a noite?

“De noite todos os gatos são pardos”. A frase popular coloca bem o problema. Tem se a noite como o fim de um dia de trabalho e estudo, e geralmente as pessoas saem para espairecer e ficarem livre das regras que ficaram submetidos durante todo o dia. É um momento de liberdade. Adolescentes saem para exercitarem suas funções sociais, formarem grupos, iniciarem-se na arte amorosa e tudo isso, longe dos pais; o que consiste numa importante atividade de crescimento e independência do jovem. Mais um paradoxo moderno: Cobra-se a todo o momento do jovem independência, criatividade, desprendimento, mas, ao mesmo tempo, não os deixamos crescer, impondo limites absurdos, inconstitucionais e fora dos parâmetros de uma sociedade livre. Há quem ache que crescer é saber respeitar regras sociais, e eu concordo com isso. Mas respeitar regras sociais não é o mesmo que temer ser punido. Há que se ADQUIRIR respeito e não FORÇÁ-LO goela abaixo, como já nos provou a história, com o nazismo e a onda totalitária que envolveu a America latina em suas ditaduras.

O “limite”, que tantos psicólogos se referem como importantes ao desenvolvimento do ser humano, mas acabam confundindo com uma tabela de regras coladas na geladeira, é conseqüência fatal da demonstração de amor e amparo, que costuma ser função de uma família estruturada e principal qualidade de qualquer relacionamento humano. Tabelar obrigações, tabelar o ser humano o retira da responsabilidade de responder pelos seus atos. A tal tabela de leis e regras sociais precisam estar coladas pelo lado de dentro de cada um, ao seu tempo, com amor, paciência e clareza lógica. Temos medo de que?

Mais informações: http://g1.globo.com/Noticias/0,,LTM0-5597-30603,00.html


 

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