AS ARTES E SEU VALOR NO MUNDO


No Brasil, é muito comum que jovens ao escolherem a profissão evitem as carreiras artísticas (artes plásticas, moda, música, etc.).  Está quase claro que entrar para esse estranho mundo, nesse estranho modo de viver, seria uma loucura ou um ato de rebeldia infundado.

No entanto, sabe-se do valor alto que tal atividade obteve no mundo todo, de modo que um violino fabricado pelo famoso Giuseppe Guarneri (1698- 1744) no século XVIII pode chegar a valer mais que 3,54 milhões de dólares (que foi o valor pago por um violino stradivarius, anteriormente); ou um quadro de Pablo Picasso (1881-1973) pode ser avaliado em 78 mil euros.

Realizado em Paris, de 23 a 25 de fevereiro de 2009, um leilão com a coleção pessoal de arte do estilista Yves Saint Laurent (1936-2008) foi impressionante, batendo uma seqüência de recordes. O leilão bateu um recorde de valor em uma coleção particular: R$ 1,1 bilhão. O primeiro dia de leilão, por si só, já era recordista sozinho, com R$ 627 milhões. A obra de Henri Matisse “Les coucous, tapis bleu et rose”, de 1911, atingiu o lance de R$ 97,3 milhões, recorde em valores de leilão de quadros do artista. A “Dragon Chair”, da artista irlandesa Eileen Gray, foi vendida por R$ 64 milhões.

Mas penso aqui: Porque decidimos ao longo de nossa história de civilização valorizar tanto esses objetos artísticos? E porque, ao mesmo tempo, tememos a atividade artística de modo a não incentivar quem quer que seja a praticá-la? Afinal, paga-se um alto valor por produtos artísticos, então seria uma ótima fonte de renda, não é?

De fato, uma minoria privilegiada de artistas consegue atingir patamares estratosféricos de fama e valorização social. O privilegio destas pessoas está simbolizado naquela frase de “vender a alma para o diabo”; como se o artista, a partir de um momento da vida, fosse um instrumento de arte divina ou diabólica, cuja inspiração vem do além. Um poder desconhecido e devastador. Existe, junto com a figura do artista, uma áurea de mistério e admiração, que culmina muitas vezes em mortes sofridas e repentinas.

A psicanálise coloca tal poder com o nome de sublimação. Embora não seja um conjunto teórico bem estabelecido, pela própria palavra, sugere-se duas coisas: (1) Uma força que impulsiona a produção de coisas sublimes, elevadas e de extremo valor, como nas belas artes e (2) uma força que transforma matéria diretamente do estado sólido para o gasoso. Esse termo é empregado por Freud, na tentativa de explicar a grande quantidade de energia gasta com atividades artísticas e intelectuais e o grande valor dado a tais atividades; sendo que não há ligação direta e manifesta entre elas e a sobrevivência do individuo, em termo das energias psíquicas sexuais ou sobrevivência do individuo.

O poder da tal energia que movimenta a produção artística, vem de dentro do individuo, como se a atividade de pintar um quadro ou qualquer outra atividade artística, fosse tão importante quanto as atividades diretamente ligadas a sobrevivência (formação de laços de amizade, reprodução, busca por alimento e abrigo).

O mais engraçado é que ainda ouvimos falar que “trabalho mesmo é pegar na enchada e ficar o dia todo sob um sol forte, dormir, acordar e fazer a mesma coisa no outro dia, e não ficar pintando quadro ou tocar violao”. A arte é sublime. É produto de mais pura energia de sobrevivência humana, e toda cultura do planeta reconhece isso. Para o azar de quem disse a frase acima.

LEIA MAIS : www.lilianpacce.com.br


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1 comentário

  1. sem dúvida o objeto artístico é a visão de um mundo subjetivo de quem criou. E no subjetivo, podemos enxergar uma realidade. Especialmente a nossa realidade que muitas vezes faz ponte com esse subjetivo…

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