GREVE NA USP: QUANDO AS BOMBAS NÃO DOEM.


mamãe, tem um fantasma embaixo da cama...

As universidades públicas no Brasil tem um cheiro de passado para mim. Assim que passei no vestibular, imaginava um local aonde os intelectuais se formavam, aonde as artes inflamavam as relações humanas, e um local com pessoas interessantes. Assim um novo país se formaria baseado na busca da verdade e do questionamento cientifico.

Engano meu. Minha disposição para ingressar em uma universidade publica se deparou com um cenário avassalador. O mesmo tipo de gente que frequentava a escola, o terceiro colegial, estava lá, na USP. Não houve grande mudança. E as pessoas, as conversas, as roupas, o jeito de falar, as festinhas universitárias eram exatamente as mesmas que das universidades particulares. Assim, aprendi desde cedo que eu possuía em mim um fantasma, uma idéia primitiva e passada, uma idealização do que seria uma universidade para mim. E creio que esse fantasma também esteja bastante presente em funcionário, alunos e professores das universidades públicas.

A greve atual (2009), mais uma vez é justa em seu pressuposto, mas como sempre, aquele “fantasminha camarada” vem cutucar os manifestantes como se dissesse: “Olha lá! Eles estão jogando bombas em você! Você não vai fazer nada? Lembra da ditadura militar? Você vai ficar parado? Agora, pense nesse fantasma coletivamente, soprando essas palavras dentro da cabeça de cada manifestante. É claro que os pacíficos manifestantes entraram em confronto com a PM, como mostrou a mídia.

Penso que a greve é um direito do trabalhador, mas a vejo como uma ferramenta ultrapassada. Como apertar parafuso com uma faca: da certo, mas seria melhor uma chave de fenda. Vejo que as universidades públicas não possuem mais o prestígio que tinham, se é que já tiveram algum dia aqui no Brasil. E algumas pessoas querem obter esse prestigio a base de métodos arcaicos, como por exemplo revidar bomba com bomba, como disse o ex-funcionário e líder do SINTUSP (Sindicato dos trabalhadores da USP), Claudionor Brandão.

A FACA

Continuando nossa metáfora, a faca seria esses métodos arcaicos, como uma greve, que por constituir um direito do trabalhador acaba sendo confundido como o único método para fazer valer as exigências da classe. Mas será mesmo a greve a única maneira de gritar e exigir reconhecimento e aumentos salariais? Seriam as bombas a única maneira de revidar as bombas dos policiais?

A CHAVE DE FENDA

Experimente fazer isso. Pergunte para o povo que se engalfinha nos ônibus, e que anda apressado nas ruas, e que ganha perto de um salário mínimo (maioria da população) se eles sabem o que é a USP. Creio que terá respostas interessantes. Uma vez, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) uma senhora me perguntou, se ali era a faculdade. Eu, embora interiorano, respondi com autoridade:

– Aqui é a faculdade de direito.

A senhora pensou um pouco e disse.

– “Mas quanto paga pra entrar aqui?”

– Nada, aqui é uma faculdade publica.

A senhora fez uma cara de interrogação e então percebi que não entendia o que era essa tal de… “Pública”, então acrescentei.

– Todo final de ano tem vestibular, ai a senhora faz a inscrição, faz a prova e estuda aqui. Tudo grátis! Dessa vez fui ao ponto, acho; mas ela disse

– “Ahhh… Sabe, é pro meu sobrinho…”

Então, pensei, que a USP, as universidades publicas de maneira geral são desconhecidas por uma boa parcela da população, e que eu fazia parte de um minoria privilegiada neste país torto.

A Solução, a chave de fenda seria a divulgação em massa de tudo que se produz nas universidades, trazendo o Brasil para dentro das universidades, de diversas maneiras. Para que a universidade passe a ser realmente uma prestadora de serviços a população e não um poleiro arcaico de pombas gordas e preguiçosas. Que a carapuça sirva!


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