MICHAEL JACKSON: UM ASTRO ANESTESIADO


“Deixa eu brinca de ser feliz Deixa eu cuidar do meu nariz” (Todo carnaval tem seu fim, Los Hermanos)

Se você nasceu nos anos 80, certamente não ficou imune aos efeitos deste cara. Certamente ele está presente nas suas memórias de infância, mesmo você não gostando muito de música. Fazendo uma breve releitura de minhas memórias, eu que nunca fui fã de Michael Jackson (MJ), guardei uma imagem desse sujeito: uma imagem intocável de um ótimo dançarino, revolucionário grandioso da música pop. Apesar das constantes confusões sexuais, pedófilas e relativas à sua auto-imagem, exaustivamente expostas na mídia mundial, a imagem de MJ para mim é positiva.


MJ desde muito pequeno, expressava um grande talento. No entanto, vendo alguns vídeos dos “Jaksons Five”, que foram desenterrados após a morte do astro, tive uma sensação estranha de que aqueles cinco garotos, sorridentes, dançando e cantando, não me pareciam exatamente “garotos felizes”. Pareciam macaquinho ou elefantinhos de circo pulando e cantando sobre ordem de um senhor com um chicote na mão, que estava atrás do palco.

Hoje pesquisando sobre o assunto, pude ler este texto, em que o pai de MJ, o ex-metalúrgico, ex-boxeador, Joseph Bertram Jackson, afirma: “Eu dei ‘chicotadas’ nele com um cinto. Nunca bati nele. Você bate em alguém com uma vara…” Para o pai de MJ, dar cintadas em um menino, não consiste exatamente em “bater”, o cinto talvez seria a forma mais eficiente e “carinhosa” de adestrar o garoto. Além disso, no programa Fantástico da Rede Globo (5 de julho de 2009), ouvi da boca de MJ: “Sim, meu pai me batia” e que vomitava nesses momentos de violência.

MJ com ao passar do tempo foi ficando cada vez mais branco e seu nariz foi ficando cada vez mais fino e esquisito. O corpo de MJ foi o alvo de constantes ataques cirúrgicos. Fala-se em procedimentos médicos relativos a doenças de pele, que ocasionaram um embranquecimento da pele do cantor.

O Rancho Neverland (Terra do Nunca), com suas passagens secretas, constituiu um mundo a parte, em que MJ poderia reviver o que nuca aconteceu em sua vida: talvez um minuto de paz, um minuto em que um senhor com o chicote na mão parasse de adestrá-lo. De fato, o abrigo que Neverland oferecia não era o bastante e MJ, que ultimamente não dormia, passou a utilizar meios mais eficientes para realmente entrar na “Terra do Nunca”. Neste texto, confirma-se que MJ utilizava um potente anestésico (ele diz à sua enfermeira: “Só quero um pouco de sono. Você não entende. Só quero ser capaz de tomar um nocaute e dormir”).

O triste fim de MJ, prestes a iniciar uma turnê, nos coloca algumas questões modernas, que frequentemente me perturbam: (1) O alto valor dado aos medicamentos legalmente prescritos por médicos no alívio da dor, e na produção de estados mentais artificialmente produzidos. A dor tem um papel tão descartável assim, a ponto de nos desfazermos simplesmente dela? A dor física possui um correlato psíquico e precisa ser investigada e levada a sério, penso.

A exemplo, um rato foge de um gato, porque o gato é representado internamente como algo perigoso e que oferece risco imediato a sobrevida. Assim, num belo dia, um rato cansado de sentir o desconforto induzido por tal situação de fuga ou luta frente ao gato, cuidaria para que não sentisse mais tal dor. A vida do rato certamente estaria em perigo e talvez sem sentido. A emoção – sentida como boa ou ruim – de se fugir de um gato constituí para o rato, condição fundamental para ser um rato no Planeta Terra.

(2) Fugimos e esquecemos o que fomos e somos sem pagar um alto preço ao corpo? MJ, supostamente aqui colocado, poderia estar fugindo daquele pai carrasco que o chicoteava, mas esse pai constitui um objeto intrínseco ao próprio MJ. Ora, MJ evitava então um confronto com um elemento de seu próprio corpo, portanto multilava-se, trocando sua pele, seu nariz, construindo passagens secretas, se exilando em um mundo que nunca foi, e onde o nunca poderia ser vivido plenamente.


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