SOCORRO, NÃO ESTOU SENTINDO NADA! – 1


alexitimia

Falar o que sentimos não é tão simples

Característica básica de alguns organismos vivos é a capacidade de “sentir”. Em organismos básicos (planárias, insetos em geral, etc.) essa capacidade de sentir refere-se a uma reação bastante estereotipada, que o permite captar certas condições do meio e reagir no sentido de se aproximar ou se distanciar. Em humanos, essa capacidade é bastante refinada. Continuamos tendo reflexos simples a situações extremas, mas o sentir adquire outras funções, como por exemplo, a função de constituir e preservar laços sociais, familiares e amorosos.

Então não só sentimos o que nossos receptores sensórios (na pele, nossos ouvidos, olhos…) indicam, mas também sentimos o que os outros potencialmente sentem e temos quase sempre a necessidade de contar para alguém o que sentimos. Quando sua pele é tocada ou alguém esbarra em você, tal sensação é exata; você sabe exatamente o que houve e associa a um relato verbal: “Alguém tocou em mim”, e até mesmo consegue localizar, “No meu braço esquerdo”. Mas situações internas, que já são emoções talvez, o relato não é tão simples. Às vezes você acorda não tão bem, não sabe por que está de mau humor, e alguém lhe pergunta: “Nossa, você está mal humorado?” E então? O que você responderia? Essa resposta seria tão exata quanto o relato de outra sensação, como o toque na pele citado acima?

É difícil falar de nós mesmos, de nossas sensações, nossos pensamentos, nossos desejos porque parece que não são situações reais; são situações que ocorrem em outro plano, em um plano dentro de nosso corpo, talvez na nossa cabeça. Chamaremos então esse plano de mente ou plano psíquico. Neste plano, as leis são diferentes e a razão nem sempre faz diferença nas avaliações. Nem sempre uma constatação racional faz com que você pare de sentir ou sofrer, por exemplo:

Fato: Meu pai morreu

Sentimento: (Luto, dor, sofrimento)

Racionalização: “Todos os seres humanos morrem”, “Ele foi um homem bom nesta vida”, “Ele me deu todo amor que podia” e etc.

Resultado: (Luto, dor, sofrimento continuam)

Há evidentemente outra lógica, outros mecanismos que regem nossa vida mental, de modo que a racionalização e a constatação de verdades universais, pouco fazem sentido.

Assim fica difícil ver claramente o que se passa em nossa mente. Numa tentativa de clarificar tal situação, tentamos colocar em palavras, em poesias, em artigos, em desenhos, em quadros, em músicas tal situação confusa; e entregar para que alguém veja ou escute e nos de um retorno.

Seria assim que mantemos laços sociais? Pela demonstração sincera, embora confusa, de nossos sentimentos?

No próximo artigo trataremos da alexitimia (do grego, “a”sem; “lexus” palavra; “thumus” coração, sentimento, afetividade). Termo utilizado para definir pessoas que não tem palavras para definir o que se passa no seu mundo afetivo.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s