A CURA PARA TODOS OS MALES DA HUMANIDADE


Voce é isso.

Famoso e polêmico, Richard Dawkins[bb] nos dizia em seu livro “O Gene Egoísta” (1976), simplificadamente, que somos uma máquina viva com o objetivo de perpetuar os genes. Toda complexidade do comportamento animal (humano também) seria então uma orquestração com o objetivo final de manter os genes vivos. Vocês sabem, genes são as unidades codificadoras da maioria dos organismos vivos. Eles são feitos de DNA e participam da formação e funcionamento de muitas funções e estruturas do seu corpo (a instrução da cor e formato do seu cabelo esta lá, “escrita” nos genes).

Então tudo pode ser explicado pelos genes, desde o formato do seu nariz até a sua mania de chorar quando seus filhos vão viajar, e isso é muito comum sabemos. Imaginem um médico e um paciente frente a frente, e o médico diz: -“Sinto muito, essa sua doença é genética!”. O paciente desolado percebe que nada pode ser feito. O termo “isso é genético” soa parecido com “Deus quis assim”. Portanto, se tudo está nos genes podemos mapear todo o genoma humano (conjunto de todos os genes de uma espécie) e assim teremos a solução de todos os problemas humanos ditos genéticos, não é mesmo? No entanto, depois de desenvolvido o projeto Genoma Humano, em 2001, em que se mapeou todo genoma humano, muitas respostas esperadas não foram encontradas. O Emplastro Brás Cubas* não foi descoberto.

A psiquiatra e professora da Escola de Medicina de Monte Sinai, Rachel Yehuda nem pensava na palavra epigenética quando abriu em Nova York uma clínica para o tratamento de sobreviventes do Holocausto nazista, em 1992. Em pouco tempo, e para sua surpresa, ela notou que muitos dos filhos das vítimas, nascidos anos depois do fim da Segunda Guerra, também apresentavam sintomas de estresse acima do comum, mesmo que suas vidas tivessem pouco dos horrores vividos por seus pais. Rachel e Jonathan Seckl uniram-se após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 para estudar as consequências do evento traumático nos filhos de mulheres que estavam grávidas na época. Até agora, a dupla descobriu um traço intrigante. As crianças apresentam um nível de cortisona (hormônio ligado ao estresse) no sangue mais alto do que a média da população. Daqui a alguns anos eles pretendem examinar os filhos dessas crianças e avaliar se o mesmo ocorrerá. (Revista Galileu)

Poderíamos pensar que, como os bebes foram expostos à hormônios do estresse em momentos críticos do desenvolvimento, houve então modificações nos bebês pra esse tipo de resposta, como já mostraram diversos estudos. Mas acontece que essas modificações da respostas de estresse são passadas pelo menos até a terceira geração de filhotes, nos mostrando, talvez, que experiências traumáticas dos pais (a mãe) são passadas para as gerações futuras.

Essas modificações epigenéticas (que estão além da genética) não são mutações porque não mudam o gene, apenas o tornam mais ou menos ativos; mas essas modificações resultantes do estilo de vida do sujeito, são passadas pra frente.

É muito fácil e cômodo culparmos os genes e os neurotransmissores cerebrais por alguma condição nossa. Então você toma um remédio para depressão acreditando realmente que há um desequilíbrio da sua química cerebral, o que de fato acontece, mas se esquece que a origem dessa depressão esta relacionada com o modo que sua mente experimenta o mundo, e não seu genes ou neurotransmissores.

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*Em busca de fama, Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, tenta criar o emplastro que seria um remédio que aliviaria a nossa melancólica humanidade de seus males.

2 comentários

  1. Ei nando, muito legal! isso mostra, entao, que as caracteristicas de cada um nao sao fixas, certo? Seria correto dizer entao que temos comportamentos inatos e tendencias comportamentais? Todos sao igualmente capazes de mudar ou moldar o proprio comportamento?
    um abraco!

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    1. Olha Pedro,
      Acho correto dizer que há comportamentos inatos sim, porque o contrario seria acreditar que os organismos nascem como um “tabula rasa”, que sao pouco a pouco instruidos a atuar no mundo. De fato, parece que chegamos ao mundo com programas pré instalados e prontos para utilizar. Mas começo a acreditar que temos (humanos) poucos comportamentos inatos, e a fixaçao de certos comportamentos trazem mais maleficios que beneficios. (um comportamento bom para se fixar sao os relativos a autopreservaçao, em que criamos esquemas comportamentais para afastar de uma situaçao perigosa; um comportamento nao muito bom para se fixar seria o esquema de troca de afetos entre homem e mulher, cujas instruçoes iniciais recebemos la na primeira infancia, e as vezes repetimos sem saber até hoje… esse é um problema: parece que o organismo humano adulto responde à esquemas comportamentais “fantasiados” do pasado, ou seja, influenciado por um memórias subjetivas infantis)
      Creio que todos podem mudar sim, porque a ideia de mudança de um ponto a outro na mente humana pode ser mudada tambem. Por exemplo: Um sujeito quer de vez mudar algum aspecto de sua vida que o incomoda. Isso pode ser mudado de fato, ou pode-se, por outros meios, analisar esse desejo de mudança a ponto do sujeito acreditar que ele nao é tao importante assim. Pode-se nao mudar o comportamento mas muda-se o modo como esse comportamento afeta a mente.
      Abraços Pedro!

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