Festa Infantil 1

PADENCENDO NO PARAÍSO


Festas infantis atualmente são grandes eventos sociais

Abro o jornal e leio: “Pais são mais insatisfeitos do que as pessoas que não têm filhos, mostram estudos”, um texto de Julliane Silveira para a Folha de São Paulo.

E assim comecei a pensar em como isso parece mentira. Afinal das contas, na lista moderna de itens obrigatórios da felicidade, ter um filho é um dos itens mais valiosos e desejados. Ter um filho significa que você é fértil, que seus gametas funcionam e que você pôde ser atraente e desejável o suficiente para prorrogar o tempo em que seus genes vão perambular pelo planeta. Isso todos sabemos desde que nossa professora chata de biologia fez questão de atrapalhar o recreio.

 

Hoje vejo que o filho que nasce, além de nos fazer adoecer no paraíso (afinal “ser mãe é padecer no paraíso”), traz a marca final da felicidade e do sucesso pessoal e profissional, depois do apartamento bem localizado, com câmera 24 horas e mobiliado com móveis da loja da moda.

Nesse artigo da FSP, depois de analisar dados de 15 mil britânicos por uma década, um economista escocês atestou que pessoas com filhos eram mais felizes. Mas a euforia durou pouco: em março deste ano, o autor publicou uma errata. Ao rever os números, viu que “o efeito de ter filhos na satisfação das pessoas é frequentemente negativo”. “Há uma sensação de perda, de não estar dando o que poderia. E uma cobrança grande. Qualquer distúrbio de comportamento é visto como culpa da criação dada pelos pais” analisa a cientista social Maria Coleta Oliveira, professora da Unicamp. (FSP, 4/8/2010)

No Reino Unido, a Universidade de Kent centraliza uma rede de pesquisadores de todo o mundo que se dedicam a entender as peculiaridades do que chamam de nova cultura parental.
“Ser pai ou mãe passou a ser considerada uma atividade ou habilidade, e não uma forma de relacionamento, e é retratada como algo inacreditavelmente difícil”, explica à Folha Jan Macvarish, pesquisadora da universidade. Com tanta pressão, fica difícil educar um filho sem se sentir mal e aquém das expectativas próprias e alheias. O excesso de informações sobre como criar a prole gera a impressão de que uma boa educação deve ser guiada por um especialista. (FSP, 4/8/2010).

Por outro lado, talvez na tentativa de tamponar esses desprazeres, os pais lançam mão de ferramentas modernas, como as redes sociais na internet. Não tenho os números, mas há muitas comunidades e perfis no Orkut e Facebook com centenas de fotos desses bebês, precocemente inseridos na vida virtual. Seguindo os passos da Xuxa, “a rainha dos baixinhos”, hoje todos querem mostrar que a prole vingou, é bonita, bem cuidada e amada. Além disso, temos a festinha de 1 ou 2 anos semelhante à um grande evento social, com Buffet, shows ao vivo, afeitos áudio visuais, teatro, traje de gala, álbum de fotos de tamanho bíblico e compilação de vídeo em DVD. E eu pergunto: Qual o significado de um evento tão grandioso? Isso é pra satisfazer o filho? Ou os pais? Não sei a resposta.

É sempre bom lembrar que a internet não tem limites de tempo e espaço, e as informações colocadas lá podem ser acessadas por qualquer pessoa (não caia na piada do sigilo e privacidade na internet, isso não existe!), consistindo em uma compilação de informações importantes para seu parente querido e também para um sequestrador qualquer na Tailândia ou na sua cidade.

“No futuro todos serão famosos por 15 minutos”. Esta frase de Andy Warhol em 1968 define bem nosso desejo de exposição e de nos sentirmos desejados e invejados ao olhar do outro. Penso que a internet é uma maravilhosa invenção, mas tem sido usada de maneira irresponsável, sobretudo pelas pessoas mais adultas. O adolescente que publica um filme pornô ou fotos suas sem roupa na internet está, na verdade fazendo bagunça… Antes os adolescentes ou crianças brincavam na rua, tocavam a campainha e saiam correndo, roubavam frutas do vizinho, brincavam de médico etc.

Para estes jovens, hoje a internet é o espaço principal de socialização e descoberta do mundo, e não adianta os pais se queixarem porque isso é um fato consumado.

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