PASTEURIZAÇÃO DA VIDA: PROPAGANDA E MARKETING NA POLÍTICA CONSTROEM O CANDIDATO-PRODUTO.


Em 1967, Guy Debord lança um livro em formato de manifesto em que trata da preponderância das imagens e de outras formas de representação na sociedade contemporânea, alcunhada por ele como sociedade do espetáculo. Debord discute essa dominância e a considera como uma das causas para o possível distanciamento entre os homens, agora mediados por imagens, e as realidades que o cercam. Alerta-nos para um possível esvaziamento nas relações, marcadas pela superficialidade inerente à sociedade do espetáculo. Sintetiza esse pensamento no trecho: Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação (Bezzerra, 2006)

Bom, como está na moda proibir, punir e obrigar (lei do bafômetro, lei antifumo, lei antipalmada, lei antihumor na política, etc.) vou propor mais uma proibição: A lei antipropaganda política.

Vamos imaginar então que essa lei estivesse em vigor e seria proibida a impressão de folhetos (santinhos), carros de som, outdoors, faixas, e qualquer tipo de propaganda na TV. Em termos mais gerais, seria proibida qualquer propaganda eleitoral que não permitisse interatividade e debate ao longo de certo tempo.

Costuma-se falar que o voto é algo de valor inestimável e que precisamos ser conscientes na hora de votar. O que ocorre na prática é que os políticos contratam agências de marketing e propaganda para criar campanhas. Algo idêntico ocorre se você resolver abrir uma loja de doces e desejar vender muito: Você contrata uma agência de propaganda que vai bolar um meio de colocar seu produto na casa do consumidor, sem que ele saiba muito bem do “porque” da compra. Com a política voce vê a propaganda, sente que realmente está fazendo a coisa certa, e vota. Ou seja, compra uma ideia assim como compra um sabonete, um doce ou outro bem. Portanto, se formos atribuir valor em nosso voto, ele vale bem pouco, pois todos sabemos da péssima qualidade dos produtos/candidatos que se tem por aí.

Caso as propagandas não fossem mais permitidas, a dinheiro gasto seria encaminhado para outras formas de divulgação. O PT divulgou que a estimativa de gastos com a campanha de 2010 é de um total de até R$ 157 milhões. Então são R$157 mi gastos com papelzinho, comícios, programas de TV que se parecem mais com um show de horrores. Tudo muito superficial e de caráter muito mais marqueteiro do que esclarecedor e informativo.

Então como seria essa nova propaganda? Palestras, debates, grupos de estudos de propostas e soluções e um local (virtual e real) em que o candidato pudesse promover esses eventos, como um centro de politica e cultura, mantido pelo partido (acho que com R$ 157 mi da pra fazer isso, não é?).

Desse modo, reduziremos o voto de boiada, e aumentaremos votos consistentes. Penso que assim colocaremos um desafio bastante importante na vida desses políticos que passariam a pensar em modos inteligentes de ganharem o nosso voto.

__

Referência Bibliográfica

Bezerra, G. M. P. (2006) Mídia e Política: uma reflexão sobre as possibilidades contra-hegemônicas. UNIrevista, vol. 1, n° 3.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s