PSICOSSOMÁTICA (5) – NOVOS CAMINHOS PARA O CÂNCER


Holland (2002) define a psico-oncologia como uma subespecialidade da oncologia que lida com duas dimensões psicológicas (1) as reações psicológicas do paciente com câncer e sua família em todos os estágios da doença e (2) os fatores psicológicos, sociais e comportamentais que contribuem para a causa e evolução da doença e a sobrevivência do paciente.

Em busca de bases biológicas que poderiam intermediar os processos pelos quais fatores psicológicos atuam de maneira mais clara nos processos somáticos, pesquisas foram feitas no sentido de investigar as funções do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) relacionado com o estresse e reações de defesa. A disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), parece estar associada com manifestações de desordens psicossomáticas e psiquiátricas, por exemplo, a depressão está associada a uma hiperatividade deste sistema (Gold et al.,1984; Sachar et al.,1970) e suscetibilidade a doenças infecciosas (Mason, 1991) e problemas cardiovasculares (McEwen, 1998) a hipoatividade deste sistema tem sido relacionada a processos auto-imunes como esclerose múltipla (Adams et al., 1989) e neuro-dermatites (Buske-Kirschbaum et al., 1997).

Estudos em humanos e outros animais mostram que o estresse e depressão crônicos suprimem fatores imunológicos relevantes na defesa contra tumores (Evans et al., 1992; Hickie et al.,1995; Zorrilla et al., 2001). Pacientes com câncer passam repetidamente por eventos emocionais que ativam mecanismo de resposta ao estresse incluindo o eixo HPA, tal ação repetida tem sido associada com a desregulação deste mecanismo trazendo consequências adversas a saúde (Mc Ewen, 1998). Há evidências de que a desregulação dos níveis de cortisol está relacionado com o estresse físico do câncer (Mormont et al., 1997 ) e com estresse psicológico (Chrousos et al., 1998) e pode afetar o crescimento de tumores. Os glicocorticóides têm sido relacionados com o crescimento de tumores em experimentos in vitro e em animais de laboratório (Sapolsky et al., 1985;  Lointier et al., 1985).

Assim, para um melhor entendimento da psicossomática do câncer talvez seja necessário uma abordagem que leve em conta dados clínicos, fisiológicos e a investigação psicanalítica que – embora tenha sido posta como uma psicoterapia ineficiente e de alto custo – mostra-se efetiva no tratamento de desordens mentais complexas (Leichsenring et al. 2008).  Até semana que vem!

OBS: Para obter referências bibliográficas completas entre em contato.

 

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