PSICOSSOMÁTICA (6) – SIMBOLIZAÇÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS


Além de muitos relatos clínicos de profissionais que tratam de pacientes com câncer, uma série de estudos demonstra a possível relação entre diversos tipos de câncer com a existência de fatores psicológicos específicos (Blumberg et al.,1954), estresse (Stephenson et al., 1954), imagem corporal (Fisher et al., 1956), dinâmica familiar em crianças (Greene et al.,1958), perda significante não resolvida e inabilidade de expressar frustração e raiva e laços fracos de relacionamento (LeShan et al., 1966), padrões de separação e perda, depressão e sentidos de esperança e desesperança (Schmale et al., 1964), capacidade diminuída de descarga afetiva (Kissen, 1966) e conflitos emocionais reprimidos (Bahnson et al.,1966).

Avila (2004) investigou a gênese e desenvolvimento dos sintomas psicossomáticos, utilizando como material as entrevistas terapêuticas de doze pacientes que apresentavam sintomatologia funcional cardíaca, visando a aplicação e discussão do modelo de Cambridge (Marková & Berrios, 1995) para a formação dos sintomas. Encontrou que o sintoma psicossomático caracteriza-se como proveniente de um “núcleo de irrepresentabilidade”, do qual se gera um sintoma de estrutura inconsciente, incapaz de receber uma conceituação que o nomeie. Propôs ainda que o diálogo terapêutico pode ser compreendido como um processo de substituição sintomática, em que um sintoma “mudo”, incapaz de alteração, e manifestado no corpo, será transformado num sintoma “conceitualizável”, verbalizável, passível de nova representação e de elaboração pela mente.

Depois de colocadas essas evidências nos textos anteriores da série “Psicossomática”, penso que existem motivos bastante fortes para passarmos a conceber as doenças humanas como um processo histórico e individual. Obviamente que os mecanismos fisiológicos da expressão de um sintoma, uma dor aguda, por exemplo, são semelhantes em toda espécie humana e por isso podemos inventar meios de tratar esses sintomas (com remédios e terapias). Mas a maneira como essa mesma dor aguda surge na história de vida de uma determinada pessoa é única e necessita ser investigada. O problema é que essa investigação é bastante trabalhosa, demorada, confusa e nem sempre exitosa, e por isso é dispensada por profissionais da saúde.

O advento da farmacologia deu a falsa impressão de que mediadores químicos atuam sempre como agentes etiológicos. Dessa forma, uma depressão é facilmente tratada como unicamente uma desregulação de mecanismos serotoninérgicos. É verdade que há desregulação serotoninérgica, mas a causa dessa desregulação não é evidente. A causa precisa ser buscada na história de vida, nos hábitos e nos modos de relacionamento da pessoa; se é que se deseja de fato encarar a doença e tentar desenvolver um processo de cura efetivo, e não apenas atenuar os sintomas.

OBS: Para obter referências bibliográficas completas entre em contato.

 

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