Sutiã aos 6 reabre polêmica da “adultização” de crianças


Pierre Duarte/Folhapress. Sutiã infantil com bojo à venda em loja de departamentos na rua da Consolação

São Paulo, quinta-feira, 07 de abril de 2011

de Ribeirão Preto Colaboração Para a Folha De São Paulo | Juliana Coissi, Chico Felitti E Vanessa Correa.

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Depois das maquiagens e dos sapatos de salto, crianças ainda longe da pré-adolescência, na faixa dos seis anos, agora têm à disposição sutiãs com enchimento.

Lojas de departamentos passaram a vender peças para meninas com bojos que imitam o formato dos seios, conforme revelou a coluna Mônica Bergamo ontem.

Fábricas de Franca, no interior paulista, afirmam que passaram a produzi-los a pedido de mães cujas filhas disseram querer imitá-las.

Uma funcionária das lojas Pernambucanas da rua da Consolação, na região central de São Paulo, afirma vender cerca de 30 sutiãs infantis com enchimento por dia.

Ontem, no entanto, só eram encontradas peças com numeração a partir de 12. Segundo a Pernambucanas, os produtos com numerações menores foram retirados das lojas “por uma demanda do licenciador [a marca]”.

Na Pernambucanas do shopping Aricanduva (zona leste de SP), Maria Helena Gomes, 40, e a filha, Ana Paula, 7, examinavam as lingeries. A menina usa o sutiã com bojo desde os seis anos de idade, mas só em casa, para brincar, diz a mãe.

“Como ela é miudinha e magrela, o peito chama muita atenção. Tenho medo de que zombem [fora de casa].”

Adriana Aparecida de Moraes Câmara, 38, deu a primeira peça a sua filha mais nova quando ela tinha cinco anos. Ela diz ter atendido a uma curiosidade da criança.

“Ela usou muito pouco, mais no começo, porque estava empolgada. É mais a curiosidade de ter um igual ao da mãe”, afirma Adriana.

A venda dos sutiãs com enchimento para meninas tão novas reabre a discussão sobre a “adultização” precoce.

“Se até para os adultos o padrão estético desejado é inalcançável, imagina para as crianças, que não têm nada a ver com isso”, observa a psicóloga da PUC-SP Maria da Graça Gonçalves.

Vestir criança como adultos, afirma a psicóloga, é deslocá-la da fase que ela deveria viver e jogá-la para um universo adulto.

É por esse motivo que a avó Juracilda Isidro, 52, negou o pedido de sua neta de quatro anos por uma peça com enchimento. “Ela disse: “Ah, vovó, eu quero um igual ao seu”. Mas acho errado vestir criança como adulto.”

Para a terapeuta sexual Fátima Protti, munir criança de sexualidade, através de maquiagem ou roupa de crescida, é lhe dar uma arma carregada que ela não sabe usar. “Passa longe da criança o sentido erótico por trás do que veste ou usa”, afirma.

Diretora da Frelith Lingerie, empresa que fabrica peças para crianças, Sueli Maria Pereira Silva, 50, defende o seu produto.

Para ela, as peças são mais “uma brincadeira” do que algo para as meninas usarem no dia a dia.

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