O verdadeiro Xou da Xuxa

Domingo, dia 20 de maio de 2012, Xuxa dá entrevista ao Fantástico da Rede Globo. Iluminação difusa, e o foco no rosto bem conservado de uma senhora de 50 anos.

Enquanto eu ouvia um discurso calmo, com frases bem colocadas e algumas pitadas de bom humor, pensava: O que será que vão postar no Facebook sobre isso? Como a mídia irá retribuir tal sinceridade? Afinal de contas Xuxa costuma ser uma espécie de ícone Kitsch dos anos 80, a culpada por emburrecer e sexualizar precocemente muitos de nós que estamos com 30 e poucos hoje.

Depois dessa entrevista a personagem Xuxa passa a ter profundidade e ganha uma dimensão humana (podem afirmar que isso foi jogada de marketing… tanto faz) sente uma espécie de dívida com as crianças do mundo inteiro, afirma que “gostaria que as crianças do mundo não sofressem mais”. Mas por que Xuxa torna-se humana? Porque, como em todos nós, correm hormônios e sangue em suas veias? Porque mostrou-se uma Xuxa introspectiva, emocionada e carente?

Em terapia sempre? Talvez…

Minha terapeuta me fez montar uma tabela de metas para 2010. Dentre elas abandonar o meu marido que estava me deixando triste*”

“Cheguei até aqui porque não aguento mais psicólogos me dizendo o que devo fazer*”

* Relatos de alguns fragmentos de meus casos clínicos devidamente modificados em sua forma, mas não o conteúdo, para preservar a privacidade dos pacientes

_

Praticamente copiei o titulo do texto que meu colega e quase xará Fernando Ferreira Fernandes traduziu do New York Times, mas com uma pequena mudança. As reticências indicam que a terapia, na visão de um psicanalista, pode ser (ou não) um processo contínuo e longo (a psicanálise é também chamada de “psicoterapia dinâmica de longa duração”).

O verdadeiro autor do texto “In Therapy Forever? Enough Already” é Jonathan Alpert, um psicoterapeuta nova-iorquino (desculpe a sinceridade e certa ironia, cujo site pessoal mais parece uma loja de departamentos… com escritos garrafais COMPRE O LIVRO!). Vou escrever este texto sem ironias e como se estivesse conversando com o Fernando mesmo. Não espero criar nenhum tipo de embate, pois psicanalistas e cognitivos/comportamentais concebem diferentemente o ser humano e vejo as TCCs como ferramentas bastante úteis em alguns casos. Admiro e respeito Frederic  Skinner e Aarom Beck.

Não li e não gostei!

ImagemNa fila do supermercado somos forçados a observar vários produtos, em estantes estrategicamente colocadas, geralmente dirigidas às crianças. Entre salgadinhos, balas e outras porcarias a maior porcaria que vi nos últimos tempos: a revista Veja de 25 de abril de 2012.

Uma capa com fundo amarelado mostra um sujeito alto, magro, com cara de foto do facebook, vestido com um terno alinhado e discreto. Ao lado um sujeito gordo, baixinho com cara de zangado em uma expressão que demonstra ódio ou inveja do magrelo bonito ao lado. Seu terno é ridículo. E a chamada em vermelho e caixa alta: “DO ALTO TUDO É MELHOR”.

Como não poderia deixar de ser, justificando a chamada idiota, uma ciência igualmente idiota para justificar: “A evolução tecnofísica explica porque as pessoas mais altas são mais saudáveis e tendem a ser mais bem sucedidas”

Há um tempo fiz  promessa de que nunca mais compraria a revista Veja e mantive essa promessa. Vou me limitar apenas à capa desta revista.

Violência nos games e as receitas prontas para ser um “expert”

Acabei de ver uma entrevista pela EPTV. A Profa. Dra. Bianca Cristina Correa do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da USP-RP  saiu-se muito bem. Informou que não há relação direta entre violência dos games e a prática de violência das crianças que jogam. Em pouco tempo – e bastante pressionada pela repórter em dar dicas infalíveis de como educar – a professora foi muito esclarecedora e profissional.

Um dos pontos marcantes dessa preocupação da sociedade em tentar esclarecer o comportamento violento dos seres humanos é a ingenuidade e a crença de que há uma remédio ou de que há um método para curar os humanos de certos comportamentos destrutivos.  A repórter insistia para que a professora desse dicas objetivas para que os pais (espectadores ávidos pela tutela da ciência) tivessem sucesso na criação dos seus filhos.  A professora respondeu bem: os pais precisam garantir que as crianças brinquem com outras e apontou também que elas sabem que os games são apenas… games e que a realidade é bem diferente e alfinetou que muitos pais utilizam esses recursos eletrônicos (TV, games, etc.) como babás eletrônicas. Corretíssimo!

Impotência, violência e o totalitarismo do bem

Uma das grandes questões modernas é a violência. Um sentimento de insegurança toma os moradores de pequenas e grandes cidades porque o processo civilizatório falhou ao tentar dominar os impulsos agressivos que um homem tem frente ao outro.

Afinal, o homem tem um lobo interno que deseja devorar o próximo ou é naturalmente bom sendo depois corrompido pela desigualdade das condições sociais?

Nem um nem outro.

 

Filosofia, Ciências e… Cerveja

A psicanálise e as ciências de uma maneira geral colhem frutos negativos por causa do isolamento que se submeteram ao longo do tempo. Projetos de divulgação científica passaram a ser preocupações constantes de universidade e centros de estudos em todo mundo.

Assim, nesse movimento de divulgação das ciências e do conhecimento de maneira geral, o CirculôSaber coloca Ribeirão Preto no circuito mundial da divulgação as ciências em bares o botecos.

Uma parceria entre os Departamentos de Filosofia e de Neurociências do Núcleo Tavola e Cervejarium para divulgação das ciências e filosofia, com objetivo de promover um verdadeiro simpósio – cujo significado clássico remete a idéia de uma discussão regada à bebidas alcoólicas e apetitosos banquetes na Grécia antiga.

SERVIÇO

Nossas Escolhas: Uma visão ética e comportamental

Quando escolhemos caminhos que nos parecem mais adequados, por que essas escolhas, ás vezes, nos dão uma sensação de culpa? A dualidade humana discutida do ponto de vista filosófico e psicanalítico.

  • [curador e convidado] Francisco de Assis Santos Sobrinho

É filósofo, professor e consultor de empresas, Formando em Psicanálise e Diretor do Departamento de Filosofia do Núcleo Tavola.

  • [convidado] Luis Henrique Milan Novaes

É psicanalista, coordenador do Núcleo Tavola, presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática-Regional Ribeirão Preto e membro do Departamento de Psicossomática do Centro Médico de Ribeirão Preto.

LOCAL: Cervejarium  (Av. Independência, 3242, Ribeirão Preto-SP)

DATA/HORÁRIO: 19/3/2012 às 19h30

Capacidade da sala: 35 pessoas

ENTRADA GRATUITA* + CERTIFICADO

*As inscrições obedecem ordem de chegada

http://nucleotavola.com.br/circulosaber

Auto-ajuda, clichês e uma certa esperança

 “Quando a esmola é muita

Até santo desconfia”

(autor desconhecido)

 

Com títulos bastante atraentes, livros de auto-ajuda são fenômenos de venda em todo mundo. Os intelectuais e pessoas mais comedidas desaprovam. Mas o que está por traz ou pela frente desse fenômeno?

“O Sucesso é Ser Feliz”; “O Sentido da Vida”; “Mentes brilhantes, mentes treinadas” e outros títulos atraem o leitor porque parecem condensar coisas complicadíssimas em simples palavras.

Como não morrer em Ribeirão Preto andando de bicicleta

Fugindo do tédio das repetições exaustivas e do ambiente nada saudável das academias de ginásticas (som alto e gente hipertrofiada se olhando no espelho) e restrições alimentares que me trariam um vida de baixa qualidade, resolvi tomar uma atitude. Comprei uma bicicleta. Quando digo isso aos amigos, eles já pensam em combinar comigo um passeio de bicicleta sábado à tarde. Eu digo não. Não gosto de passear de bicicleta, bicicleta é só para trabalhar.

Minha ideia foi de me obrigar a fazer algum tipo de exercício físico, perder uns quilos e me curar de algumas dores nas costas, posto que fico sentado o dia todo.

Compartilho com muitas pessoas a ideia de que só não vou ao banheiro de carro porque o corredor é estreito. Mas mesmo assim, resolvi tentar a mudança.

A insustentável sustentabilidade

Em uma dessas conversas do dia a dia fui obrigado a ouvir: “Sou contra esse negócio de sustentabilidade”. Opa, me interessei. Mas o pior veio a seguir: “Não vou estar vivo mesmo daqui um tempo…” Ok, mais um idiota no mundo. Tenho hábito de me questionar sobre as modas e ditames modernos porque eles geralmente são bastante ricos para um exercício de pensamento. A sustentabilidade, por exemplo.

Alguém para odiar

Jefferson Aiplane é um banda psicodélica dos anos 60. Um de seus hits é “Somebody to love”. Por coincidência ouvi esta música hoje de manhã e, junto das noticias sobre internação involuntária para usuários de crack, comecei a escrever este texto.

90% dos brasileiros entrevistados concordam em internar forçadamente os usuários de crack. Já o conselho federal de psicologia é contra. O presidente do órgão, Humberto Verona, diz que a internação involuntária não pode ser vista como sinônimo de tratamento.”O que querem fazer é apenas uma limpeza das ruas. Essas internações são, muitas vezes, pura privação da liberdade ou uma forma de aplacar a culpa das famílias dos viciados”, afirma. Para Verona, a maioria da população apoia a medida por ter a ilusão de que, feita a internação, o problema do drogado está resolvido.  (FSP, 25/1/2012)

 

Gladiadores do terceiro milênio? Ãhn?

“Uma grande mania, uma enorme excitação, uma adrenalina que corre pelo corpo inteiro. São gladiadores do terceiro milênio!” (Galvão Bueno)

Pela primeira vez vi uma luta de MMA. Achei normal. Tipo um boxe mais agitado. A Rede Globo fez questão de colocar (inclusive na novela das 21h) que MMA não é o antigo Vale Tudo, e possui regras bem definidas. Ótimo. Como é bom ser civilizado. Não vale soco na nuca e nem chutar a cara do oponente quando ele estiver no chão.

 

Crack, autodestruição e a sujeira para baixo do tapete

Em uma operação chamada de “higienista” porque parece simplesmente limpar esteticamente o que hoje chamamos de “cracolândia”, fincada no centro de São Paulo, a Policia Militar e o Governo de São Paulo novamente são atacados.

Sim, acho que todo mundo sabe que o problema das drogas tem suas raízes mais profundas como na educação e distribuição de renda, mas resolver os problemas em sua raiz é difícil, mesmo porque penso que não há raiz do problema que possa ser extirpada como uma mandioca doente. Nesse caso extirpar a raiz é eliminar o que o ser humano tem de mais humano: o seu desejo e suas variações bizarras.

Cursinho gratuito na USP Ribeirão está com vagas abertas

O PEIC (projeto de ensino interdisciplinar comunitario) é uma iniciativa louvável da qual participei desde sua fundação em 2004 quando alguns amigos jogavam sinuca na faculdade. Lá se vão 10 anos de uma boa ideia aplicada de forma correta e sustentável.

Visite o site, as vagas podem ser feitas até 20 de janeiro de 2012 

Assim voce me mata…

Olha, por incrível que pareça não desejo falar de Michel Teló, a nova febre. Acabei de assistir ao filme “Melancolia” de Lars Von Trier e esse filme de fato “me pegou”.

Nessa obra de arte (e aí sim, Michel Teló e  Revista Época vão pro esgoto) Lars esmiúça o sentimento de melancolia, atualmente apelidado de depressão pelos médicos. Para falar a verdade o filme é um pesadelo, ele desmotiva, deprime… mas ao mesmo tempo é belo… é cruel também.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 22.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 8 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

Clique aqui e defenda a Amazônia

A internet se transformou no maior palco das indignações da classe média brasileira – até então muda e culpada – que pôde comprar notebooks nas Casas Bahia em 10 vezes sem juros. Ótimo! Isso é a chamada inclusão digital. Portanto, e isso é importantíssimo em termos históricos, foi rompido o grande monopólio de mídias que é simbolizado mais fortemente no Brasil pela Rede Globo. Enfim, as mídias que conhecemos nos anos 80 como televisão, jornal e revista não são mais as únicas e a internet vem com força. Isso todo mundo já sabe, não é? Todos dizem também que isso ocorreu de maneira rápida demais… E  que a quantidade de informações é muito grande e que o ser humano vai se tornar pior do que já é (o que na minha humilde opinião é bastante difícil…).

 

 

Curso de Formação em Psicanálise 2012

SAIBA MAIS EM

www.nucleotavola.com.br/cursos/psicanalise

Playboys maconheiros?

Meus caros revolucionários, a polícia não está nem aí para o que você pensa ou deixa de pensar!

A frase do título deste artigo pipocou nas redes sociais nessas semanas referindo-se aos estudantes da USP que invadiram a reitoria. Antes de qualquer coisa os tais “playboys maconheiros” eram cerca de 50 pessoas, mas a comunidade acadêmica da USP consta com cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária) que produzem conhecimento valiosíssimo que normalmente é considerado no mundo moderno como a grande moeda do desenvolvimento. Poratanto. Não caia no erro banal de generalizar com base numa notícia veiculada por uma mídia duvidosa.

E agora Gisele Bündchen?

Defender a moral e os bons costumes não é tarefa fácil em um mundo cheio de iPads, notebooks, facebooks e uma classe média que pensa que é responsável pelo destino do mundo; sendo que esse mundo se mostra cada vez mais sem destino e indomável. Já falei sobre o Rafinha Bastos e recentemente uma propaganda comercial com a “top model” Gisele Bündchen foi alvo de mais uma polêmica, diga se de passagem muito semelhante à polêmica de Rafinha.

“Comeria ela e o bebê”

“O objetivo da piada não é degradar o ser humano, mas lembrar que ele já é degradado”

(George Orwell)

Foi com essa frase que Rafinha Bastos (um dos integrantes do programa CQC da Rede Bandeirantes), iniciou uma batalha contra Wanessa Camargo e Marcus Buaiz (que devem processar Rafinha tanto na área criminal quanto na cível e querem indenização pelos danos causados pela piada) e foi retirado do programa CQC. Muitos dizem que no Brasil os políticos são levados na brincadeira e os comediantes a sério e eu concordo com isso.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.